quarta-feira, 27 de janeiro de 2016


Arquitetura pra que te quero



Impulsionada pelo boom da construção civil no país e novas normas técnicas para reformas, a arquitetura está mais acessível e vem sendo cada vez mais valorizada entre os brasileiros, na busca por soluções para otimizar imóveis cada vez menores. A atividade segue em alta com abertura de novas vagas e expansão do mercado de trabalho. Mas é preciso dedicação e aprimoramento constante.
Arquiteto e projeto
Quem fala com exclusividade sobre o atual momento da profissão ao blog do Adzuna Brasil é a arquiteta e mestre em Engenharia de Produção Elenara Stein Leitão, cujo trabalho se caracteriza pelo foco na praticidade e conforto de vida do usuário, bem como em manter uma relação de profunda transparência com clientes e parceiros de trabalho. Confira!
1) Apesar das expectativas para o mercado de trabalho para este ano não serem as melhores, especialistas apontam a arquitetura e urbanismo como uma das carreiras mais promissoras para 2015. Você concorda que ela vive um bom momento?
A arquitetura vem acompanhando o boom da construção civil dos últimos anos e o mercado cresceu bastante. Além disso, o número de pessoas que hoje tem acesso ao profissional e sabe a sua importância também aumentou. Ao mesmo tempo o número de faculdades também cresceu bastante. Diria que é uma profissão bastante disputada, não existem muitos concursos públicos na área e, quando existem, as vagas são poucas.
O profissional que pretenda segui-la vai ter que encontrar seu nicho e batalhar constantemente pelo seu espaço. As chances de trabalho também aumentaram bastante com a entrada em vigor da NBR 16.280, que exige a participação de um arquiteto ou engenheiro nas obras de reforma. Por sua vez, o urbanismo ainda tem um campo amplo a ser explorado. Nossas cidades carecem da atuação de profissionais habilitados para regulá-las. Enfim, campos de atuação existem e devem ser garimpados pelos profissionais.
2) Essa é uma área que atrai um grande número de vestibulandos, tanto que já existem hoje cerca de 300 cursos no país. Com uma grade que mescla disciplinas as áreas de humanas e exatas, quais aptidões você considera que um arquiteto e urbanista deve ter? É realmente necessário saber desenhar ou gostar de matemática, por exemplo?
Aptidões necessárias: capacidade de auto crítica, curiosidade, inteligência espacial (capacidade de enxergar o espaço e o que vai ser proposto, antes de colocado no papel). Matemática e geometria fazem, sim, parte das disciplinas necessárias para o curso e, mesmo que não sejam “experts”, sugiro que quem tem horror a elas, repense a sua escolha.
Projeto de arquitetura
Desenhar, mesmo que esquematicamente, é super importante. Não é preciso ser um artista plástico, mas muitos dos grandes arquitetos aprenderam arquitetura viajando e desenhando o que viam. Gostar de ler, ter mente aberta, ser criativo. Enfim, trabalhar em si para formar o seu repertório pessoal, que vai ser o grande diferencial de cada arquiteto.
3) São diversas as áreas em que o profissional pode atuar tais como projeto arquitetônico, arquitetura de interiores, design de móveis ou objetos, paisagismo, edificações. O que você acha que esses estudantes não devem sair da faculdade sem saber? Quais competências têm sido mais valorizadas no mercado?
As ferramentas CAD são importantes, mas são ferramentas. Teoricamente um papel e lápis podem fazer um grande projeto. Mas um grande arquiteto que souber também dominar o AutoCAD, Sketchup, Revit, Bim e os renders da vida, sempre se salientará. Essas ferramentas CAD são o caminho para os estágios durante a faculdade. Saber dosar o tempo para aprimorar o seu repertório e as ferramentas é uma dica.
A competência mais valorizada sempre será o talento. Mas para que esse talento seja reconhecido é preciso que seja mostrado. Então saber vender e administrar o seu trabalho é fundamental.  Relacionamento é uma palavra-chave em qualquer profissão. Para um profissional liberal é fundamental.
4) Com mais de 100 mil profissionais ativos, o país registra hoje um índice de 0,55 arquiteto por cada grupo de mil habitantes, relação semelhante àquela dos países desenvolvidos. Você acha que a arquitetura está mais acessível no Brasil atualmente?
Sem dúvida a arquitetura está mais acessível. Quando me formei nos anos 80, o profissional arquiteto era visto como um profissional caro e de elite. Hoje tenho feito projetos, vistorias e reformas em apartamentos de poder aquisitivo mais baixo. Mais pessoas valorizam a atuação do arquiteto em seus espaços e nos chamam para resolvê-los, o que é muito bom e muito gratificante.
Projeto de arquitetura

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